Aveneu Park, Starling, Australia

Depois resultado produzido pela adaptação de algo.

Depois de
publicar, em 1973, o livro The Princess
Bride, William Goldman escreve o guião da adaptação do mesmo para filme em
1987, que teve como realizador Rob Reiner.

            The
Princess Bride é uma narrativa que conta a história de Buttercup e Westley.
Para poderem viver a sua história de amor, Buttercup e Westley devem derrotar o
Príncipe Humperdinck, que os tenta separar com a ajuda do conde Rugen. No
entanto, o amor consegue vencer e Buttercup e Westley, com a ajuda de Inigo e
Fezzik, conseguem derrotar Humperdinck.

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            Este trabalho tem como objetivo
analisar a adaptação da obra The Princess
Bride para o filme com o mesmo nome. O trabalho incide principalmente sobre
os conceitos teóricos encontrados no livro A
Theory of Adaptation de Linda Hutcheon e em como estes podem ser aplicados
na adaptação de The Princess Bride.

            De modo a que se possa analisar a
adaptação da obra, é importante, em primeiro lugar, definir o que é uma
adaptação. Adaptação pode ter vários significados diferentes: pode referir-se
ao ato de adaptar, ao ato de ser adaptado, ou ao resultado produzido pela
adaptação de algo. (?tirbe?iu, p. 492)

            The
Princess Bride é uma adaptação que corresponde ao resultado produzido pela
adaptação de algo, neste caso corresponde à adaptação do livro de William
Goldman.

            De acordo com Maria ?tirbe?iu, The Princess Bride, a adaptação, é tida
em conta como o processo de adaptar um livro para um filme. Maria ?tirbe?iu diz
ainda que a forma mais comum de adaptar algo para filme tem por base uma
narrativa, ou um livro. No entanto, podem ser adaptadas para filmes outras
fontes como peças de teatro, bandas desenhada, autobiografias, etc.:

 

A common form of film adaptation is the use of a novel
as the basis of a feature film, but film adaptation includes the use of
non-fiction, autobiography, comic book, scripture, plays, and even other films.
(?tirbe?iu, p. 492)

           

            Outra possível definição de
adaptação pode ser encontrada no livro A
Theory of Adaptation de Linda Hutcheon. A autora define adaptação em três
pontos distintos. O primeiro refere que “an adaptation is an announced and
extensive transposition of a particular work or works.” (Hutcheon, p. 7) Esta
transposição significa que pode haver uma mudança de meio, como acontece em The Princess Bride, que é adaptado de um
livro (meio inicial) para um filme (meio final). Esta transposição também pode
significar uma mudança de género ou ainda uma mudança de contexto, ou seja, a
mesma história contada de um ponto de vista diferente (Hutcheon, p. 8). O segundo
ponto refere que uma adaptação é um processo criativo que envolve a
reinterpretação e, portanto, a recriação de algo. Por fim, o terceiro ponto
refere que adaptação é uma forma de intertextualidade, isto é, as adaptações
inferem, naqueles que as visualizam, memórias de outras obras que fazem com que
a experiência de ver estas adaptações seja diferente de pessoa para pessoa. A autora conclui:
“Therefore, an adaptation is a derivation that is not derivative – a work that
is second without being secondary. It is its own palinpsestic thing.”
(Hutcheon, p. 9)

            Hutcheon menciona três
modos ou formas de envolvimento das audiências: telling, showing e interacting. O modo telling
refere-se, por norma, a novels ou
livros. Por outro lado, o modo showing
refere-se a filmes ou peças de teatro. Já o modo interacting, como o nome indica, consiste na participação mais
ativa das audiências, como acontece nos videojogos. (Hutcheon, pp. 22-23)

            As formas mais comuns de adaptação
são aquelas que passam do modo telling
para o modo showing, como é o caso de
The Princess Bride.

            As narrativas contêm muita
informação, como por exemplo, descrições de lugares ou pessoas, pensamentos,
etc., que nem sempre podem ser traduzidas para o ecrã. Quando se passa de um
modo para o outro é importante traduzir as descrições, a narração e os pensamentos
para o discurso, ações, sons ou imagens: “In the move from telling to showing,
a performance adaptation must dramatize: description, narration, and
represented thoughts must be transcoded into speech, actions, sounds, and
visual imagens.” (Hutcheon, p. 40)

            Os pensamentos das personagens ou as
descrições que vemos nos livros ou obras são difíceis de reproduzir nos filmes
porque existe uma grande diferença entre os modos telling e showing. Ainda
que seja possível passar estes pensamentos ou descrições para o discurso ou
para ações, há sempre uma perda de informação, existem sempre mensagens
subliminares que são perdidas. O leitor e aquele que vê o resultado produzido
pela adaptação do livro não têm a mesma perceção da história. Isto acontece
porque no modo telling é usada a
imaginação, que varia de pessoa para pessoa e, portanto, promove diferentes
interpretações, enquanto que no modo showing
são de imediato apresentadas às audiências imagens visuais que, de certa forma,
não permitem às audiências usarem a sua imaginação da mesma forma que esta é
usada no modo telling.

            Na passagem de um modo para outro é,
também, por vezes, possível condensar uma grande quantidade de informação em
apenas alguns segundos. Uma das grandes limitações das adaptações de livros
para o grande ecrã é o tempo, uma vez que é praticamente impossível representar
tudo aquilo que acontece numa obra, devido à sua extensão, em apenas um par de
horas. Por este motivo, é feita uma espécie de condensação, ou abreviatura, da
informação de modo a que seja possível traduzi-la para o ecrã num curto espaço
de tempo.

            No filme The Princess Bride é apresentada ao leitor uma cena, com duração
inferior a dois minutos, onde ficamos a saber como é que Buttercup se apercebe
do amor que Westley sente por si e também como esta se apercebe de que sente o
mesmo. No entanto, no livro tal não acontece. No livro, o leitor não toma de
imediato conhecimento dos sentimentos de Westley. Buttercup demora bastante
tempo a aperceber-se que sente alguma coisa por Westley e é só ao fim de esta
confessar os seus sentimentos que Westley explica que de todas as vezes que
dizia “As you wish” queria, na verdade, dizer que a amava:

“A little maybe; I’ve been saying it so long to you,
you just wouldn’t listen. Every time you said ‘Farm Boy do this’ you thought I
was answering ‘As you wish’ but that’s only because you were hearing wrong. ‘I
love you’ was what it was, but you never heard, and you never heard.” (Goldman, p. 39)

 

Tudo
isto decorre ao longo de algumas páginas onde intervêm outras personagens para
além de Buttercup e Westley. Contudo, no filme, há uma condensação desta
informação. Esta condensação deve-se, não só a uma tentativa de economizar a
duração do filme, mas também para, de certa forma, eliminar alguma informação
que possa não ter tanta relevância para o desenrolar da ação.

            É importante referir quem é
responsável pela adaptação. Inicialmente, tentar responder à questão “Quem é
responsável pela adaptação?” ou “Quem é o adaptador?” parece ser uma tarefa
razoavelmente fácil. Contudo, nem sempre é o caso. A autora de A Theory of Adaptation menciona que não
existe apenas um adaptador. Evidentemente, existe alguém que adapta o texto
original para um guião que servirá de pano de fundo para o produto final. No
caso de The Princess Bride, o autor
coincide com o argumentista. No entanto, Hutcheon põe a hipótese de que todas
as pessoas envolvidas no processo da adaptação de um livro para um filme
poderem ser consideradas adaptadores: os compositores da música, os designers de roupa e cenários, os
editores, e até mesmo os atores, podem ser considerados, de certa forma,
adaptadores. Porém, a autora defende que nenhum deles é considerado o adaptador
principal de um filme: “Yet none of these artists – screenwriter, composer,
designer, cinematographer, actor, editor, and the list could go on – is usually
considered the primary adapter of a film or television production.” (Hutcheon, p. 82)

            Apesar de serem várias as pessoas
que estão envolvidas no processo de adaptação, aquele que é considerado o
adaptador principal é o realizador uma vez que é este que é “ultimatly held
responsible for the overall vision and therefore for the adaptation as adaptation.” (Hutcheon, p. 85) Embora exista alguém que é
responsável por transformar o texto original naquele que será o guião do filme.
Por fim, e desta forma, a autora conclui que ambos o realizador e o
argumentista devem ser considerados como os adaptadores.

            Portanto, e tendo em conta o que é
acima referido, os adaptadores de The
Princess Bride são: William Goldman, o autor e argumentista; e Rob Reiner,
o realizador.

            Para além de tentar responder à
questão de autoria de uma adaptação, Hutcheon tenta também responder à questão
“Porquê adaptar?”. A autora dá quatro diferentes motivos ou razões para alguém
fazer uma adaptação: razões económicas, razões legais, razões culturais ou
pedagógicas e razões pessoais ou políticas. Relativamente às razões económicas
as adaptações permitem que os adaptadores possam lucrar com algo que não
tiveram de criar de raiz e, portanto, as adaptações são economicamente vantajosas.
As razões legais estão relacionadas com o facto de as adaptações serem
consideradas legais e não plágio, uma vez que são consideradas “a ‘derivative’
work” (Hutcheon, p. 89). Para além disso, devido à quantidade de informação que
é cortada na passagem do livro para o filme, é ainda mais difícil provar que a
adaptação é ilegal. As razões culturais ou pedagógicas relacionam-se com a
intenção, por parte dos adaptadores, de criar algo que estes consideram ser
importante para promover a cultura. Além disso, algumas adaptações têm caráter
pedagógico, uma vez que têm como público-alvo os estudantes e professores que
usam as adaptações que são feitas de obras literárias estudadas. Por fim, as
razões pessoais ou políticas são, evidentemente, razões que variam de adaptador
para adaptador e que podem servir, ou ter como objetivo, fazerem uma crítica
social.

            Os motivos que levaram à adaptação
de The Princess Bride não são
conhecidos, no entanto, tanto o livro como o filme tornaram-se bastante
populares após a adaptação.

            A audiência é extremamente
importante, uma vez que é a audiência que dita o sucesso de uma adaptação. É
importante que o adaptador tenha em conta o tipo de audiência, sendo que nem
toda a gente irá ter a mesma experiência quando visualizar o resultado final, a
adaptação. Hutcheon considera que existem dois tipos de audiência: knowing audience e unknowing audience. A knowing
audience é uma audiência que já tem conhecimento prévio da obra a ser
adaptada e, portanto, irá ver a adaptação de forma diferente daqueles que a vêm
pela primeira vez. Por outro lado, a unknowing
audience é uma audiência que não tem qualquer conhecimento sobre a obra
original. O adaptador deve ter o cuidado de criar algo que possa ser entendido
por ambos os tipos de audiência, isto é, deve tentar agradar àqueles que estão
familiarizados com o trabalho original, cumprindo as suas espectativas, sem
esquecer os que não têm conhecimento da obra. (Hutcheon, p. 120-122)

            Por exemplo, em The Princess Bride, o adaptador teve em conta tanto aqueles que já
tinham lido o livro como os que não o tinham feito. No livro, as vidas de Inigo
e Fezzik são mais detalhadas do que no filme mas, mesmo assim, tanto as knowing audiences (aqueles que leram o
livro) como as unknowing audiences
(aqueles que não leram o livro) conseguem entender e apreciar estas
personagens.

            No processo de adaptação é
importante ter em consideração os contextos: onde e quando. Estes contextos são
vários e vastos e podem afetar a forma como a adaptação é recebida: “An
adaptation, like the work it adapts, is always framed in a context—a time and a
place, a society and a culture; it does not exist in a vacuum.” (Hutcheon, p.
142) The Princess Bride foi adaptado
em 1987, mas depois de mais de trinta anos, continua a ser um clássico
intemporal. O filme não tem um contexto preciso. Não sabemos onde nem quando
exatamente decorre a ação. The Princess Bride relata não só uma história de
amor, mas também uma de amizade que transcende culturas, idades e géneros.

            Em conclusão, The Princess Bride foi publicado em 1973 e adaptado para o cinema
em 1987, no entanto, e ao fim de vários anos, tanto o livro como o filme,
talvez pelo género em que estão inseridos, continuam a ter sucesso e a encantarem
diferentes tipos de audiência na atualidade. 

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